Redação Fala Maragogipe
Entre Rios (BA), 26 de agosto — A citricultura baiana deu um salto em inovação com a inauguração da primeira Unidade Experimental Demonstrativa (UED) do Programa de Desenvolvimento Territorial (Prodeter), do Banco do Nordeste, no município de Entre Rios. A estrutura vai apoiar pequenos produtores na adoção de tecnologias adaptadas ao clima e ao solo locais, com foco em ganhos de produtividade, qualidade e sustentabilidade.
Como a UED vai funcionar
Instalada em área de referência no Litoral Norte, a unidade abrigará 312 plantas, testando diferentes espaçamentos e três tipos de porta-enxertos — Citrandarin Riverside, Citrandarin San Diego e Limão Cravo — para identificar as combinações mais eficientes em cada realidade municipal.
Segundo Assis Pinheiro, diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Seagri, a proposta é aproximar pesquisa e campo:
“A nossa ideia, junto com a Embrapa, a Adab e outras instituições, é testar variedades de porta-enxertos em diferentes condições do território. Os agricultores poderão acompanhar de perto o desenvolvimento de cada espécie e identificar a melhor opção para o seu município.”
Expansão para 10 cidades
Com apoio da Seagri, o plano prevê a instalação de 10 UEDs em Acajutiba, Alagoinhas, Esplanada, Conde, Jandaíra, Aporá, Rio Real, Catu, Entre Rios e Itapicuru. As unidades serão implementadas em áreas de agricultores familiares, Escolas Famílias Agrícolas (EFA), prefeituras e no IF Baiano, funcionando como polos de capacitação e transferência de conhecimento.
Base produtiva e mudas certificadas
Para Antônio Lobo, agente de desenvolvimento da Superintendência do Banco do Nordeste na Bahia, investir na base do pomar é decisivo:
“O sucesso da lavoura começa pela muda. Mudas certificadas e de qualidade são fundamentais. É o menor custo do plantio e, ao mesmo tempo, o que mais impacta no resultado final.”
Litoral Norte lidera a citricultura baiana
Dados do IBGE (2019) indicam que a Bahia possui a segunda maior área de citricultura do país, com 57.906 hectares. Cerca de 70% dessa área está no Litoral Norte e Agreste Baiano, onde a cadeia dos citros é motor econômico e gera milhares de empregos diretos e indiretos.
Por que importa
A rede de UEDs deve fortalecer a cadeia produtiva, ampliar renda de agricultores familiares e consolidar a Bahia como referência nacional em citros. A iniciativa integra pesquisa, extensão rural e políticas públicas para acelerar uma citricultura moderna, competitiva e ambientalmente sustentável.
Fonte: www.ba.gov.br