Redação Fala Maragogipe — A presidente da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira (BA), Joselita Alves Sampaio, protocolou em 12 de agosto uma denúncia no Ministério Público da Bahia (MP-BA) contra a ex-administradora da entidade, a advogada Celina Sala. O caso é mais um capítulo da disputa interna que envolve a confraria afro-católica responsável pela tradicional Festa de Nossa Senhora da Boa Morte. A denúncia foi revelada pelo Correio nesta quarta-feira (20).
Denúncia aponta “obstrução” e questiona gestão anterior
No documento encaminhado ao MP-BA, Joselita afirma enfrentar dificuldades para exercer o mandato iniciado após a eleição de 2022 e atribui a resistência a um grupo dissidente liderado por Celina Sala. A presidente sustenta que, desde a posse, passou a centralizar a captação e a prestação de contas em conta jurídica da irmandade, com balanços apresentados publicamente em 2023 e 2024.
Disputa por comando e medidas judiciais
A crise se intensificou em 2024, quando uma tentativa de destituição de Joselita foi articulada por parte das irmãs, com a alegação de falta de transparência em recursos recebidos do Estado — argumento rejeitado pela atual gestão. Em meio ao impasse, a Justiça impôs medidas protetivas envolvendo noviças ligadas à direção; uma delas, Uiara Lopes, chegou a passar mal ao ser retirada do templo, dias após o protocolo da denúncia ao MP-BA.
Lado citado
Segundo o Correio, Celina Sala não ocupa cargo oficial atualmente, embora atue no apoio administrativo por pedido histórico de uma dirigente já falecida. A reportagem informou que não conseguiu contato com a advogada até a publicação e manteve aberto o espaço para manifestação.
Próximos passos
Com a representação apresentada, caberá ao MP-BA analisar os fatos e decidir sobre abertura de procedimento. Enquanto isso, a Irmandade da Boa Morte segue sob clima de tensionamento institucional às vésperas de novas agendas religiosas e culturais no Recôncavo.
Fonte: Jornal Correio (publicado em 20 de agosto de 2025, 14h24). Correio 24 Horas